A História Infantil ” A Borboleta Branca “
Set 22, 2009
Author: Raquel Martins | Filed under: Estações do Ano, Estimulação à leitura e à escrita, Histórias Infantis
A primavera tinha chegado finalmente. A Natureza reencontrara as suas belas cores.
As flores abriam as pétalas para melhor se colorirem. Os animais cantavam e brincavam.
Estavam todos felizes. Todos, à excepção de uma borboleta branca. Só ela
se lamentava. Estava desesperada. As suas grandes asas eram
completamente brancas. Gostaria de ser uma borboleta multicolor. A
Natureza tinha-lhe pregado uma partida.
Então, chorando de tristeza, procurou incansavelmente um meio de se
colorir, esfregando-se com o pólen das flores ou rebolando-se na erva
molhada.
Uma bela manhã, banhou-se na lama. Uma rã, que habitava perto, não
acreditou no que os seus olhos viam: “Ter prazer em se sujar deste modo,
é deveras repugnante!”
Mas, ao secar, a lama quebrou-se e transformou-se em pó que voou ao
sabor do vento. As asas da nossa borboleta, de novo, imaculadas de
brancura. Que decepção!A borboleta branca pensava que, se comesse
cenouras, podia ficar cor-de-laranja. Por isso, foi visitar o seu amigo
coelho. Infelizmente, não conseguia trincar tão grande legume. Teve de
renunciar ao seu projecto.Um dia esfregou-se num enorme morango. O sumo
fez-lhe muitas manchas vermelhas nas asas. A borboleta branca ficou
muito contente. Mas uma joaninha que descansava numa folha disse-lhe
intrigada:
- Que te aconteceu? Feriste-te?
A joaninha tinha confundido o sumo vermelho do morango com sangue!
Muito humilhada, a borboleta branca lavou as asas numas gotas de orvalho.
Chegara o Verão. As borboletas resplandeciam ao sol como papagaios
multicolores. Para elas, era uma festa. Mas não para a nossa borboleta
branca. A sua vergonha era tão grande que, amuada, pousava numa
margarida para se esconder. Esta flor era a sua única amiga. Também ela
tinha, em vão, utilizado todos os meios para se colorir.
Um dia, aconteceu que Fabrice, um rapazinho, passou no campo com a sua
rede de borboletas, para apanhar as mais bonitas de entre elas. A
borboleta branca não se assustou, pensando que a sua brancura não
cativava aquele pequeno caçador. Contudo, Fabrice parou junto dela,
admirado, e perguntou-lhe:
- Porque és toda branca? Que te aconteceu para perderes as tuas cores?
- Pobre de mim! Nunca as tive; os anjinhos-pintores devem ter-se esquecido de mim.
- Pobre borboleta! È triste o que te aconteceu. Mas… tenho uma ideia… amanha voltarei para cuidar de ti.
Mal chegou a casa, Fabrice procurou a sua caixa de aguarelas:
- Amanhã, vou pintar as asas daquela pobre borboleta branca.
Na manhã do dia seguinte, partiu ás pressas, com a caixa das aguarelas
debaixo do braço, para ir ter com a sua amiga que o esperava pousada
numa papoila:
- Trouxe as minhas tintas para pintar as tuas asas. Ficarás a ser a mais bonita das borboletas.
Então Fabrice escolheu as cores mais bonitas para pintar as asas da
borboleta. No final, tremendo de alegria e de emoção, ela foi mirar-se
num charco de água. Virava-se, tornava-se a virar, dava voltas e mais
voltas. Não estava a sonhar, as suas asas já não eram brancas!
Todos os animais da vizinhança ficaram pasmados. Não acreditavam no que viam: aquela borboleta era realmente extraordinária.
A borboleta branca estava feliz, causava a admiração de todos. A meio do
Verão, os insectos organizaram um concurso de beleza. Pela primeira vez
na sua vida, a nossa borboleta pode participar. Foi vivamente aplaudida
e o júri admirou as suas cores raras, a tal ponto que lhe concebeu o
“pistilo” de ouro. Era um sucesso!
- Numa bela tarde, uma menina, Aurélia, parou junto desta esquisita borboleta de asas diferentes:
- Tenho de a apanhar para a minha colecção!Correu atrás dela e não
tardou a prende-la na sua rede. Mas, de repente, umas grandes nuvens
negras deixaram cair uma chuva que apagou as belas cores da borboleta.
Aurélia, espantada e desiludida, soltou-a.
Tremendo de medo, a borboleta esvoaçou e, depois, rodopiou de alegria: a
sua brancura e a chuva acabaram-lhe de lhe salvar a vida. Muito alegre,
a borboleta branca foi ter com a margarida, que continuava triste por
ser branca:
- Não sabes a sorte que tens por seres branca. Se fosses colorida, há muito que te teriam colhida, minha amiga.
- Tens razão, não tinha pensado nisso – admitiu a margarida, corando de prazer.
- E olha para a lua!… Também ela é branca e é muito feliz assim! A nossa
borboleta branca e a margarida desataram a rir. O branco era tão
bonito!…